quem me dera passar dias lendo, estudando, grifando, anotando. o peso da preocupação parece um tijolo arremessado na nuca e a cara batendo na parede. o desânimo dessa sensação parece uma jaqueta de nylon encharcada e guardada no freezer industrial.
eu queria estudar. não essa coisa de assistir aula. sentar na minha mesa e estudar.
assim como a mãe novata quer deitar e dormir, assim como o gordo quer comer um cookie com fartas gotas de chocolate gigantes.
torço para que não aconteçam pragas da fatalidade, mas penso que se eu fosse pra uma penitenciária levaria uns cinco livros densos que tenho aqui. fico imaginando que teria um maravilhoso tempo ocioso e o preencheria alegremente. a realidade não deve ser assim, claro. deve ser o próprio inferno e as mulheres devem ter vontade de sair de lá o mais rápido possível para viver a vida.
outra fatalidade seria adoecer. viver às custas das refeições do hospital pagas pelo convênio do plano de saúde. já pensou que legal ler sob aquelas ótimas luzes do quarto hospitalar? tudo limpinho, clarinho, lençóis grossos e resistentes, janelas boas... ah eu sei. mas que babaquice, não? ficar doente seria um descaso com a família.
pensei em juntar dinheiro e passar um tempo sabático dentro da minha própria concha. isso seria uma irresponsabilidade com os pacientes.
é um grande enigma. mas vou ser realista e ver o que dá pra fazer. talvez eu me programe melhor e tente juntar toda a concentração do mundo para fazer valer meia hora a uma hora por dia. nem todos os dias... mas já é alguma coisa.
deve haver um jeito bom.
ouvindo: headrush - hannah trigwell
quarta-feira, 2 de abril de 2014
terça-feira, 11 de março de 2014
trinta
ouse ser a pessoa dos seus sonhos. a vida é meio curta, não quero esperar passar por uma experiência ruim para refletir sobre os caminhos que venho trilhando. não quero ter uma doença para questionar a minha saúde. e também não quero passar o sufoco de um perigo para dar valor à minha vida.
trinta anos é muita coisa e ao mesmo tempo é coisa pouca.
é tempo de escolher com alguma precisão o rumo e então andar. andar, andar... sem gastar tempo e energia com questionamentos. ah, eu gasto tanto com reflexões, gaguejo nas ações...
há material suficiente para dar um formato à vida. os estudos foram concluídos, o dinheiro está entrando, o corpo ainda obedece bem os comandos, não há ninguém para eu cuidar. posso ir pro norte, posso ir pro sul. para onde virarei o barco?
eu sei quem eu sou. sei quem eu quero ser. e entre esses dois pontos há uma reta meio torta, mas ainda sim é a menor distância entre eles. e é por lá que vou andar.
ouvindo: album 'luce dei miei occhi' - ludovico einaudi
trinta anos é muita coisa e ao mesmo tempo é coisa pouca.
é tempo de escolher com alguma precisão o rumo e então andar. andar, andar... sem gastar tempo e energia com questionamentos. ah, eu gasto tanto com reflexões, gaguejo nas ações...
há material suficiente para dar um formato à vida. os estudos foram concluídos, o dinheiro está entrando, o corpo ainda obedece bem os comandos, não há ninguém para eu cuidar. posso ir pro norte, posso ir pro sul. para onde virarei o barco?
eu sei quem eu sou. sei quem eu quero ser. e entre esses dois pontos há uma reta meio torta, mas ainda sim é a menor distância entre eles. e é por lá que vou andar.
ouvindo: album 'luce dei miei occhi' - ludovico einaudi
quinta-feira, 26 de dezembro de 2013
redondice
aquele mundo era redondinho. ah arestas incomodam, não? mas sim, que ótimo, tudo redondinho.
ela tinha aquelas formas arredondadas e aconchegantes, bochechas fartas e rosadas, olhos mais do que amendoados, perfume doce e fala suave. vestido rodado pra combinar com toda aquele conjunto bem formulado de redondice.
pegar naquilo era confortável. tinha, porém, um retrogosto incômodo, um vazio chatinho e gritante. mas que diabos, que bosta?
era aquela porcaria de redondo previsível que estava começando a cultivar algum enjoozinho. eu estou rezando por uma aresta, estou procurando sarnas de arestas para me coçar. diacho.
logo ao lado tinha aquela outra. não toda torta, não é assim também né. mas ela tinha um olhar cortante como um cutelo reto. opa... reto. era um olhar seco, direto e reto. aquela necessidade do aconchegante esvaiu. prefiro desenjoar. prefiro lidar com esses ângulos, essas arestas. essa coisa interessante e complicada... interessante, enfim.
ouvindo: album afasia - dead fish
ela tinha aquelas formas arredondadas e aconchegantes, bochechas fartas e rosadas, olhos mais do que amendoados, perfume doce e fala suave. vestido rodado pra combinar com toda aquele conjunto bem formulado de redondice.
pegar naquilo era confortável. tinha, porém, um retrogosto incômodo, um vazio chatinho e gritante. mas que diabos, que bosta?
era aquela porcaria de redondo previsível que estava começando a cultivar algum enjoozinho. eu estou rezando por uma aresta, estou procurando sarnas de arestas para me coçar. diacho.
logo ao lado tinha aquela outra. não toda torta, não é assim também né. mas ela tinha um olhar cortante como um cutelo reto. opa... reto. era um olhar seco, direto e reto. aquela necessidade do aconchegante esvaiu. prefiro desenjoar. prefiro lidar com esses ângulos, essas arestas. essa coisa interessante e complicada... interessante, enfim.
ouvindo: album afasia - dead fish
sexta-feira, 29 de novembro de 2013
apartamentos
o que você faz por vontade própria? quem você simplesmente ama e não vê como isso poderia ser de outro modo? esteja essa pessoa viva ou morta, perto ou longe, presente ou ausente, mais ausente do que presente. atualmente ausente. detalhe irrelevante para um contexto geral.
o que te faz gostar especialmente de alguém?
sabe, eu fico aqui no escuro vendo o movimento nas sacadas do prédio da frente. será que a vida deles é fria como a lâmpada que eles escolheram? será que essas luzes de natal correspondem a um espirito natalino vívido ou é apenas um protocolo da família? eu não vejo ninguém pelado lá do outro lado. então acho que eles também não vêem nada aqui.
no que você está pensando agora?
acho que ninguém mora sozinho lá, os apartamentos são grandes. azar deles, têm menos tempo para ler bons livros. morram de inveja de mim aqui, aqui dessa janela que tem persiana. eles nem me conhecem direito, a minha prateleira ainda está bem vazia, como vão se apaixonar por mim se não sabem do que gosto, se não sabem que eu tenho uma montanha de livros?
eles não enxergam nada lá do outro lado. e também não têm tempo sobrando pra ficar imaginando como é a vizinha deles. se ela gosta de piano ou de livros sobre cachorros.
ouvindo: when i was your man - boyce avenue
quarta-feira, 20 de novembro de 2013
imunidade
mais um ano com essa infecção chatinha. me vê um potinho de penicilina, vamos acabar logo com isso. a virada do ano está chegando e esta é uma ótima oportunidade para cortar o mal pela raiz.
já não acha que juntou material suficiente para resolver essa situação? claro que sim.
chegou a hora de medir, de pesar, de avaliar tudo. quanto custa por mês essa manutenção? quanto estou gastando e... o que estou deixando de ganhar? é incrível o estrago que uma doença crônica pode fazer com uma pessoa. febrículas enuviam o pensamento. ora, eu não sou melhor que um enjoozinho barato?
tenho quarenta dias. o segredo para fortalecer a imunidade está aqui dentro. e é pra lá que eu vou.
ouvindo: dreaming out loud - one republic
já não acha que juntou material suficiente para resolver essa situação? claro que sim.
chegou a hora de medir, de pesar, de avaliar tudo. quanto custa por mês essa manutenção? quanto estou gastando e... o que estou deixando de ganhar? é incrível o estrago que uma doença crônica pode fazer com uma pessoa. febrículas enuviam o pensamento. ora, eu não sou melhor que um enjoozinho barato?
tenho quarenta dias. o segredo para fortalecer a imunidade está aqui dentro. e é pra lá que eu vou.
ouvindo: dreaming out loud - one republic
domingo, 10 de novembro de 2013
paz
paz é um lugar muito agradável. não é um sentimento cômodo e conveniente, como eu imaginava. é apenas exatamente do jeito que deveria ser.
a coisa certa a se fazer nem sempre está escrita nos livros de autoajuda, nos manuais de boas maneiras nem na legislação de qualquer país. algumas coisas não devem passar por um comitê de ética formado por uma equipe com moral e caráter superior que a média da população. não é assim que funciona.
coloque alguém no extremo. as reações são humanas, não poderia ser diferente disso. e o humano é isso, esse conjunto de arestas, vivências particulares, medos, conhecimentos, turbulências, opiniões duras como pedra num dia e moles como gohan no outro.
deixe as regras de lado um pouco. dispa-se de fatores externos. vá para dentro, passe pela sua mente, pelo seu raciocínio (que está longe de ser lógico), aprofunde um pouco mais e chegue no seu coração. eu sei, parece brega. mas me diga sinceramente: o que ele lhe diz para fazer?
e então você vai encontrar as respostas certas, e vai encontrar também a paz.
ouvindo: album piano opus - brian crain
a coisa certa a se fazer nem sempre está escrita nos livros de autoajuda, nos manuais de boas maneiras nem na legislação de qualquer país. algumas coisas não devem passar por um comitê de ética formado por uma equipe com moral e caráter superior que a média da população. não é assim que funciona.
coloque alguém no extremo. as reações são humanas, não poderia ser diferente disso. e o humano é isso, esse conjunto de arestas, vivências particulares, medos, conhecimentos, turbulências, opiniões duras como pedra num dia e moles como gohan no outro.
deixe as regras de lado um pouco. dispa-se de fatores externos. vá para dentro, passe pela sua mente, pelo seu raciocínio (que está longe de ser lógico), aprofunde um pouco mais e chegue no seu coração. eu sei, parece brega. mas me diga sinceramente: o que ele lhe diz para fazer?
e então você vai encontrar as respostas certas, e vai encontrar também a paz.
ouvindo: album piano opus - brian crain
sexta-feira, 30 de agosto de 2013
cores
a morte de um personagem conhecido é mais penosa do que o nascimento de um humano desconhecido. ah eu gostava daquele personagem sabe. fui eu que criei, ele tinha o cabelo lisinho e a barriga gelada. ele tinha uma cor bonita. várias cores.
ele nasceu humano e perdeu a cor. todas as cores. não gostei do que eu vi, mesmo tendo o mesmo formato.
está na hora de deixá-lo ir.
ouvindo: sigur ros
Assinar:
Postagens (Atom)
