segunda-feira, 13 de agosto de 2012

cinza

ah o equilíbrio.

esperamos encontrar uma companhia estável e agradável, um amigo de temperamento dócil e bom humor. comemos alimentos de baixo índice glicêmico para não termos picos e oscilações de glicemia, acabamos evitando pãozinho doce e colocamos pra dentro uma maçã. compramos roupas de cores neutras para serem combinadas entre si. tons de cinza são realmente muito elegantes. encontramos namorados da nossa faixa etária, do nosso gosto musical, do nosso bairro.

mas que merda de apatia irritante. a paz que eu não quero.

ouvindo: sunday bloody sunday - u2

sexta-feira, 13 de julho de 2012

sentido

não há o que temer, o que perder. quando se pensa em algo maior, todo o resto torna-se insignificante. não que eu esteja desdenhando o minimalismo e as trivialidades da vida. a beleza ainda está nos detalhes.

a diferença é quando os detalhes fazem sentido.

ouvindo: dedication, loyalty - nils frahm

segunda-feira, 14 de maio de 2012

confessar

"se quisermos que uma mensagem de amor seja ouvida, temos que emiti-la. para manter acesa uma lamparina, temos de abastecê-la com óleo" (madre teresa)

eu imagino que a coisa geral seja parecida com uma planta. o amor é tudo que alimenta e faz a planta crescer. a crítica, os amargores e a indiferença são as podas. pensando em uma matemática simples e um cálculo sensato: se podar demais e alimentar de menos a planta morre.

com a gente é meio parecido.

eu sou um ser humano e reconheço que preciso de afagos e elogios ocasionalmente. ah, reconheci isso hoje. e assumi faz meia hora. é embaraçoso, se você quer saber.

não ligo para as podas mas estou precisando de amor. e é muito chato confessar isso.

ouvindo: a ghost - coldplay

domingo, 29 de abril de 2012

patos feios

fui eu que escolhi tudo isso...

os patos feios da vida real são altamente adaptáveis. aprendem a conviver com os outros bichos, se interessam pelas diferenças alheias. acabam conhecendo a diversidade de coisas boas espalhadas por aí, há energia para o novo.

mas chega uma hora em que nós, patos, percebemos o quanto somos sugestionáveis. e quando isso acontece é estranho. tudo o que brilhava perde a graça, as cores mudam e olha que interessante: o mundo permanece igual, o que mudou foi a nossa percepção.

eu sou uma mera coleção de influências externas, de forma toscamente misturada, sem definição exata. quem sou eu, afinal? qual o lugar certo para mim?

mas convenhamos. como é utópico imaginar uma lagoa cheia de outros patos em uma situação que beira a perfeição, como no desenho da disney. é tolo fazer isso, ingênuo almejar este tipo de condição.

no fim das contas, desconfio que esse pato curte a nostalgia da solidão.

me sinto feia e cansada. feia devido à constante inadequação. cansada por fazer esforço para adequar-me. "continue procurando", é o que eles falam. se eu fosse otimista, pensaria "há um lugar bom para mim". como sou depressiva penso "não sou boa o suficiente para este lugar".

outra porta fechada novamente. e então, ficar sozinha é mais confortável. quem diria que o mesmo pato do começo do post ficou desse jeito.

descobri que não sei lidar com as pessoas. mesmo assim, prefiro quem sou hoje.

ouvindo: amsterdam - coldplay

quinta-feira, 12 de abril de 2012

buldogue

eu não sei exatamente quando foi que eu me apaixonei pela idéia mas... hoje fiquei o dia todo matutando como proceder com um filhote de buldogue.

será que ele ficaria quietinho na parte de trás do consultório enquanto eu trabalho? um buldogue vive bem em apartamento de 50m²? porque a minha idéia é morar em apartamento, não tenho $ pra comprar casa. como faço pra ensinar ele a andar de skate? aliás, como faço para não roubarem meu buldogue enquanto eu ando de skate? se eu morar no ipiranga posso deixar ele aqui com a maria e a kurica durante o dia. eu vou querer uma cama de casal, certamente, pra poder dormir com o buldogue no colo. que se dane se um dia eu arranjar um namorado, ele que se acostume com um cão no colo também.

quem diria, casamentos não me motivam a sair de casa, um cão, sim.

e a minha intuição diz que morar sozinha com um cão não é empecilho para limitar a minha vida social. eu já curto essa vida reclusa, ter um cão roncando enquanto leio um livro parece ser bem legal.

ouvindo: password - ludovico einaudi

domingo, 8 de abril de 2012

ele

"ele admirava que ela fizesse o que lhe convinha, embora, às vezes, parecesse apenas que ela fazia o que era capaz de fazer" (peter d. kramer)

não é só harry que projeta virtudes em mariana cegamente. eu também faço isso. mas que grande ilusão, algo que parece independência e autocontrole pode muito bem sinalizar fraqueza. ou, sendo mais direta, depressão.

o conhecimento muda a nossa percepção. e parece requisito mínimo para fazer algo bom, de fato.

eu me preocupo com ele, sim. ainda mais quando os sintomas, bom... ninguém mais enxerga. é estranho demais levar patadas e continuar gostando de alguém. isso vai contra as leis sociais dessa modernidade onde tudo (e todos) são descartáveis. mas eu gosto dele e pronto. gosto de querer bem, e não querer pra mim.

acho que não há mais nada que eu possa fazer. o que adianta entender todo o mecanismo fisiológico se não há nada que eu possa fazer? fico aqui esperando algum pequeno milagre.

ouvindo: ludovico einaudi

sexta-feira, 6 de abril de 2012

dinamismo

"como não tenho mais nada para me distrair, passo os dias e as noites inteiras pensando em todas as pessoas que conheço" (vincent)

seja ela uma prisão física ou mental, é realmente difícil encontrar formas de se distrair. assim como van gogh eu andei pensando em todas as pessoas que conheço. e tentando fazer um trabalho estatístico a respeito de... uhm.

me dou bem com as pessoas dinâmicas e com tudo o que é dinâmico. essa é a minha principal conclusão.

a minha própria estagnação me é incômoda. a irritação cresce como um tumor sabidamente maligno. passo a ler páginas e páginas de livros em alta velocidade, o que compensa o silêncio oral; o recolhimento social é preenchido pelo prazer da pesquisa. e então eu viro uma panela de pressão com curtos alívios ocasionais, até que eu cozinhe o que precisa ser cozido.

bom é saber que eu não perdi o dinamismo, apenas o transformei. e bom é saber que, para a minha própria sanidade, devo me afastar temporariamente de seres estagnados e interagir com os dinâmicos. gostar é uma coisa. fazer bem é outra.

todo esse movimento mental não é penoso, é gostoso. interagir com pessoas cujas trocas são ricas passa a ser gostoso também.

ouvindo: u2