sexta-feira, 8 de março de 2013

pneu

não resisti. o diálogo da família dos tonarís:

- tem um carro parado aí na frente!
- de quem é? se não for do teté eu vou furar o pneu!
- não faz isso, você vai preso.
- que? eu vou ficar sem o vovô, não quero que a polícia te prende, buáaaaa.
- a polícia não vai prender o vovô, só vou esvaziar o pneu.

ouvindo: o pouco que sobrou - los hermanos

vento

"eu não vou mudar não, eu vou ficar são, mesmo se for só... não vou ceder. deus vai dar aval sim, o mal vai ter fim. e no final assim calado eu sei que vou ser coroado rei de mim" (los hermanos)

deu tanto trabalho escalar esse monte. o silêncio do vento preenche um oco que não sei se é da cabeça ou do coração. não vou descer. foi tão penoso acostumar-me a comer carboidratos de baixo índice glicêmico. deu tanto trabalho endurecer a musculatura, deu tanto trabalho aprender a viver só. não quero amolecer, não quero baixar a guarda.

é claro que eu gosto de croissant, claro que eu gosto de um sofá, gosto de construções sólidas de alvenaria que barram o vento que me despentearia. claro que eu gosto de companhia.

sabe... esse vento... combina com um café amargo.

estou pensando em comprar uma daquelas jaquetas corta-vento, são muito práticas para quando o clima está assim. talvez eu aproveite e compre também uma mochila mais resistente e maior. pra eu poder prolongar a caminhada.

ouvindo: de onde vem a calma - los hermanos

quarta-feira, 6 de março de 2013

selvagem

o cão abaixa as orelhas, não entende o que nem por que, mas entende o que é feio e o que é bonito para o comportamento canino doméstico. vai por tentativa. no acerto tudo é festa, ele nem liga de depender do critério humano para isso. no erro ele se redime, a reprovação corta mais que faca, o sangue que brota é invisível e certamente não há alarde nenhum para algo que não se enxerga.

estou nas suas mãos. não sei o que fazer.

três por cento de singularidade. foi o que o cão encontrou vasculhando seus pensamentos, arquivos, pastas, valores e feridas. oras, parece pouco, mas se plantar e regar, vinga. é uma quantidade forte e compacta, do jeito que tem que ser.

vem me bater. porque cicatrizes engrossam minha pele, e eu preciso disso. vem me agradar. porque eu preciso treinar como dizer não. gostoso é ver a musculatura desenvolvendo. um dia, dois dias de sacrifício. dez, noventa. se fosse fácil todos seriam fortes. mas sabe de uma coisa? o processo é penoso e com o passar do tempo passa a ser agradável. e depois passa a ser necessário.

estou sobre as minhas patas. ninguém me segura.

há quem tenha dó dos que andam sozinhos. eles nem imaginam. eu sou selvagem. eu não era, hoje sou. os três por cento multiplicaram-se como uma praga irremediável e agora beiram os setenta. ainda bem, porque tenho mais trinta para crescer e anseio por isso.

tudo tem um preço. os lugares por onde ando são mais frios. as minhas melhores conversas são com cadernos. compaixão e empatia são coisas estranhas, ainda dói ver dor ao sair andando. mas estou seguindo a minha natureza e é isso o que vou continuar fazendo.

ouvindo: this is where i belong - spirit soundtrack

terça-feira, 5 de março de 2013

vidrinho

achei. 10 de outubro de 2012. será que era dele que eu estava falando? ah só pode ser. pelo conteúdo do texto, só pode ser. mas... outubro? procurei por isso em janeiro, não lembrava se era 2012 ou 2011. minha cabeça fez um nó e eis uma coincidência interessante: por acaso estou ouvindo run free. como no post de 10 de outubro.

sim, e daí?

não é qualquer um que chega perto sem eu ter vontade de sair correndo. ainda bem que eu deixei isso anotado. epifanias brotam dos bueiros como targarugas ninjas neste momento. tudo combina, é tão legal que eu deixo quieto.

como um vidrinho de perfume que eu abro, cheiro e guardo. de vez em quando... e com cada vez mais frequência. vamos levando algumas coisas sem perceber. ele sempre está lá, não?

carrego sem querer e quando me dou conta, estou cheirando cada vez mais esse cara.

ouvindo: run free - spirit soundtrack

domingo, 3 de março de 2013

magenta

todos nascem cobertos com tinta fresca. essas tintas são especiais e nunca secam, tudo foi bem projetado quimicamente.

quando encostamos em alguém, seja fazendo carinho ou dando um tapão, pincelamos o outro com a nossa tinta. eu, por exemplo, sou magenta puro. uma mistura de partes iguais de vermelho e azul. o vermelho é meu quente, meu feminino. o azul é meu frio, minha dureza. magenta. partes iguais.

vou andando pra frente. vou esbarrando nos outros. vão esbarrando em mim. vou me colorindo e a pintura torna-se aleatoriamente bela.

mas é magenta a minha cor base. eu sou um touro produzindo magenta loucamente, andando pra frente e só pra frente, sem parar. jogando tinta nos olhos dos desavisados, manchando suas bochechas. mas sabe, o importante é que estou lá. estive lá. cor vai de gosto. cada um vai descrever o magenta da forma que bem entender.

ouvindo: veja bem meu bem - los hermanos

domingo, 17 de fevereiro de 2013

em silêncio

ele pode bater na sua cara, socar suas costelas, chutar seu joelho, torcer o seu braço, dar uma gravata em você. e ainda se justificar ao fazer tudo isso. a lábia dele pode te convencer de que você esteve errada, malvada, que o seu comportamento foi péssimo e que você precisou de um corretivo.

você pode ter ficado chateada por não ter respondido à altura desde a primeira vez que ele te testou (sim, ele te testou, naturalmente). é incômoda a sensação de ter deixado tudo chegar a esse ponto. mas, veja bem, você hoje enxerga a situação.

em silêncio você foi se preparando, foi se atentando a cada detalhe, estudando cada movimento, aprendendo novas técnicas para abordagens futuras.

ele pode te bater. mas agora você sabe usar um canivete. só se defende quem é atacado, e então você não ataca. nunca. dá a entender que ele não precisa defender-se de você. e na hora certa a lâmina dura entra na carne macia. o lugar certo, a virilha. você sabe girar o canivete.

o silêncio que era só seu agora também é dele. o que vem aos poucos fortalece. o que vem de repente... pode acabar derrubando, não?

ouvindo: let down - christopher o'riley

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

inferno

o mandato começou em 2010. conheci alguém que me levou até o hall do inferno. gostei disso. em 2011 vomitei sangue e em 2012 fiquei quieta. bom, de novembro em diante passei a rir disso. a tragédia é um buraco negro tão engraçado, se você chegar bem perto vai começar a rir, inevitavelmente. tudo isso é um ótimo preparo para 2013. força, loucura e ódio em bom tamanho, coisa que só se adquire com o tempo. esse ano eu me transformo em uma bola de energia devastadora, que queima quem encostar com más intenções. queima e ri.