domingo, 8 de abril de 2012

ele

"ele admirava que ela fizesse o que lhe convinha, embora, às vezes, parecesse apenas que ela fazia o que era capaz de fazer" (peter d. kramer)

não é só harry que projeta virtudes em mariana cegamente. eu também faço isso. mas que grande ilusão, algo que parece independência e autocontrole pode muito bem sinalizar fraqueza. ou, sendo mais direta, depressão.

o conhecimento muda a nossa percepção. e parece requisito mínimo para fazer algo bom, de fato.

eu me preocupo com ele, sim. ainda mais quando os sintomas, bom... ninguém mais enxerga. é estranho demais levar patadas e continuar gostando de alguém. isso vai contra as leis sociais dessa modernidade onde tudo (e todos) são descartáveis. mas eu gosto dele e pronto. gosto de querer bem, e não querer pra mim.

acho que não há mais nada que eu possa fazer. o que adianta entender todo o mecanismo fisiológico se não há nada que eu possa fazer? fico aqui esperando algum pequeno milagre.

ouvindo: ludovico einaudi

sexta-feira, 6 de abril de 2012

dinamismo

"como não tenho mais nada para me distrair, passo os dias e as noites inteiras pensando em todas as pessoas que conheço" (vincent)

seja ela uma prisão física ou mental, é realmente difícil encontrar formas de se distrair. assim como van gogh eu andei pensando em todas as pessoas que conheço. e tentando fazer um trabalho estatístico a respeito de... uhm.

me dou bem com as pessoas dinâmicas e com tudo o que é dinâmico. essa é a minha principal conclusão.

a minha própria estagnação me é incômoda. a irritação cresce como um tumor sabidamente maligno. passo a ler páginas e páginas de livros em alta velocidade, o que compensa o silêncio oral; o recolhimento social é preenchido pelo prazer da pesquisa. e então eu viro uma panela de pressão com curtos alívios ocasionais, até que eu cozinhe o que precisa ser cozido.

bom é saber que eu não perdi o dinamismo, apenas o transformei. e bom é saber que, para a minha própria sanidade, devo me afastar temporariamente de seres estagnados e interagir com os dinâmicos. gostar é uma coisa. fazer bem é outra.

todo esse movimento mental não é penoso, é gostoso. interagir com pessoas cujas trocas são ricas passa a ser gostoso também.

ouvindo: u2

quinta-feira, 5 de abril de 2012

procurando

lendo cartas de van gogh ao irmão, me dou conta de como tudo isso é efêmero.

se debater contra as idéias inconvencionais é inútil. acaba não sendo uma coisa ou outra: o costumeiro incomoda, o dissemelhante não incomoda o bastante. e não sobra nada além de ficar em cima do muro sem tempero nenhum até que a vida passe por completo.

"você não está sentindo aquela crise dos trinta?". oi? ah, eu deveria estar sentindo? uhm... agora sim, de repente estou sentindo... mas que bosta! é de se questionar o que eu deveria ou não estar sentindo. como isso.

os casais são totalmente enfadonhos. são lindos, mas enfadonhos. é estranho imaginar que ir ao cinema ou sair para jantar já foi uma coisa tão natural. atritos corriqueiros sobre banalidades são confortáveis. e eu não curto mais o confortável.

churrasco e cerveja deixam a vida menos densa, quanta ironia. a simplicidade da vida não muda. passam-se os anos, vêm a tecnologia, os avanços. o homem é o mesmo bicho de sempre, comida e sexo e então os ânimos ficam alimentados. o resto a gente vai levando. até que a vida passe por completo...

eu deveria sim estar procurando a minha felicidade, a minha paz.

não satisfeita com a velocidade do meu raciocínio (que não deveria ser assim tão lenta), dou um tapa na minha testa pensando que talvez eu não encontre nada aqui. estou procurando a coisa errada no lugar errado.

ouvindo: nuvole bianche - ludovico einaudi

domingo, 1 de abril de 2012

sintonia

a sintonia inata e a adquirida. cada uma tem sua peculiaridade e ambas me agradam.

com ela nunca é necessário falar muito pois ela lê meus pensamentos. principalmente o pensamento não verbal... aquele que se sente. o pensamento-sentimento, aquele que causa agonia não tanto pela dificuldade de se expressar: mas pela dificuldade de se fazer entender. e ela consegue. acontece assim, desde sempre. é inato.

com ele é diferente. posso falar sobre quase tudo porque... porque... ele manja de quase tudo. meu palpite é de que um enorme banco de dados supre muito bem o papel da intuição. apesar de que eu acho que ele tem isso também. uhm. uma boa pessoa com uma boa bagagem. e não tem como não se sentir à vontade com essa companhia. muita coisa em comum e muita coisa que ensinamos mutuamente.

e não adianta. eu tentei passar meu tempo com gente cujo santo não bate. pela amizade. e assim que suas nuvenzinhas pretas e carregadas começaram a impregnar o meu céu, eu me decidi. essa tempestade é sua. não minha. eu mereço andar com quem me faz bem, não acha?

ouvindo: amsterdam - coldplay

quarta-feira, 28 de março de 2012

resposta

meu professor de saúde pública certa vez perguntou "qual o melhor jeito de prevenir gravidez?", e como na faculdade somos todos bobos, logo respondemos camisinha, pílula, dispositivo intrauterino e o caramba. ele deu uma risadinha charmosa e disse "nada disso. é não fazer sexo".

a melhor resposta às vezes é a mais improvável e também a mais simples.

o que fazer para resolver aquele monte de problemas que a codependência traz? parando com tudo isso. se ajudar os outros é feito de forma patológica então não ajudo mais. se me relaciono com homens de modo bizarro, então não os enxergo mais. se sexo traz mais dor de cabeça do que prazer, não faço mais. se o codependente aguenta muita situação abusiva, então eu simplesmente não aguento mais.

a minha meiguice passa a ser um retrogosto, não o sabor principal.

e eu gosto bem mais de quem eu sou agora, desse jeito.

ouvindo: when you believe - o príncipe do egito

segunda-feira, 26 de março de 2012

personagens

não cometa a imbecilidade de categorizar seus personagens em bonzinhos e malvadinhos. já era, ele fez isso novamente.

nicholas sparks é uma boa pessoa mas consegue ser irritante às vezes. não é assim que ele descreve os personagens pelos quais não devemos simpatizar? "é uma boa pessoa mas...". não é assim que funciona a vida real, não mesmo. ele aprenderia muito lendo mary sharratt, isso sim. personagens não são bons ou ruins, eles simplesmente são o que são.

ou o que irrita mais é ele sempre fazer um personagem que parece o imbecil do meu ex namorado? ah sim, o feio é fazer este sujeito ser o mocinho. rapazes certinhos e altruístas que curtem meninas meigas perderam a graça. ou eu só estou falando isso porque eu mesma perdi a meiguice? se eu fosse uma personagem do livro dele, certamente ele me descreveria assim "ela é uma boa pessoa mas...".

mas... mas... o caramba. suas personagens meninas estão beirando os vinte. eu estou com vinte e oito e deixei minha doçura pras formigas. e espero que elas morram de diabetes.

richard se enganou, eu não me pareço com savannah. talvez parecesse há uns meses, mas como ele saberia que eu iria virar um monstrinho ácido? eu não pareço savannah, não combino com nenhum john e nenhum will. eles que vão para o inferno, eu não combino com ninguém.

o próximo livro da fila é: os melhores contos de loucura. quem sabe eu me identifico mais com essa joça.

ouvindo: superman - five for fighting

domingo, 25 de março de 2012

skate

a criança feliz é aquela que compra, personaliza e monta os próprios brinquedinhos.

um longboard black sheep com rodinha verde limão, um outro tradicional com truck rosa choque. me apaixonei na hora em que subi neles, foi amor à primeira pisada.

e tudo isso não seria possível se eu não tivesse um bom professor.

não vejo a hora de deslizar por aí sozinha com um som bem supimpa nos fones de ouvido, sentindo o vento na cara.

ouvindo: new year's day - u2