eu queria tanto ser alguém melhor. queria tanto ser perfeita. eu sei tanto que isso não existe. me dá tanta raiva. é tanta frustração consciente. eu me odeio tanto por isso. eu sei que é inútil me odiar tanto assim. perco tanto tempo com essas metas inatingíveis. ah eu sou tão burra. não era pra ser tão complicado, mas se eu fosse mais esperta, iria entender isso melhor. eu quero tanto meter o fodase. eu admiro tanto quem mete o fodase. é tão leve e tão divertido. eu preciso tanto assistir uma comédia trágica. tem que ser trágica. eu gostava tanto de quando eu era sarcástica. era tão bom estar pouco me fudendo. essas pessoas nem se esforçam tanto e são tão legais. é tão imbecil se esforçar tanto pra ser perfeito quando isso só traz grandes bostas na vida da gente. e eu quero tanto ser legal. eu penso tanto sobre isso. eu queria tanto encontrar um jeito que funcione.
ouvindo: ventilador.
segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015
sexta-feira, 28 de novembro de 2014
alegria
ameno. suave. constante. tempero. nenhum. mas que diabos, que desgraça de água parada, oh, veja bem, ainda que temos água. não, não é legal, é chato, feio, bobo.
enfado. enfado, enfado. grande o bastante pra saber que existe vida lá fora. inquietude jovial, exigência senil. alegria efêmera é só um suspiro. suspiro não enche barriga de gente grande. gente grande de verdade, digo.
trabalho. lindo. trabalho. árduo. tempo, tempo, tempo. tempo. ah sim, agora sim, vejo valor agregando, vejo paixão, vejo alegria real. se fosse barato não teria graça.
inquietude, persistência, resultado.
ouvindo: cicero
sexta-feira, 17 de outubro de 2014
buscam
eles não entendem. eles buscam coisas superficiais e se alegram com os resultados, mas é porque eles não entendem. a profundeza é escura, fria, macabra e risonha.
existe beleza nisso, não sei até quando.
quarta-feira, 3 de setembro de 2014
serenidade
estou indo para 31. a casa dos trinta está bem melhor que a casa dos vinte.
subi aos poucos uma montanha de ar rarefeito, desenvolvi toda aquela coisa cardio sem olhar pra baixo. cheguei num patamar agradável com a sorte de pegar o ar limpo, sem nuvens, sem neblina, sem nada. a paisagem reflete uma serenidade que não existia lá embaixo. o vento ruidoso é música, a perspectiva panorâmica é confortável.
no silêncio eu estou comigo, no silêncio eu paro, penso, sinto, paz.
a força nuclear não é potente só nos átomos. é assim com a gente também. o importante é olhar pra dentro.
ouvindo: album islands - ludovico einaudi
subi aos poucos uma montanha de ar rarefeito, desenvolvi toda aquela coisa cardio sem olhar pra baixo. cheguei num patamar agradável com a sorte de pegar o ar limpo, sem nuvens, sem neblina, sem nada. a paisagem reflete uma serenidade que não existia lá embaixo. o vento ruidoso é música, a perspectiva panorâmica é confortável.
no silêncio eu estou comigo, no silêncio eu paro, penso, sinto, paz.
a força nuclear não é potente só nos átomos. é assim com a gente também. o importante é olhar pra dentro.
ouvindo: album islands - ludovico einaudi
sábado, 23 de agosto de 2014
gosto
você tinha gosto de lasanha, pavê com chocolate granulado, café espresso sem açúcar.
eu te punha no prato e toda contente sentia o aconchego da fartura.
repetia, comia com os olhos, ia alegre e vinha saltitando.
era legal sim, era ultra legal, muito supimpa.
é legal hoje esse efeito de café revestindo o estômago, quente e amargo. quieto. amargo.
preto, simples, quieto, amargo.
quieto é confortável. gosto disso.
ouvindo: album ok computer - radiohead
eu te punha no prato e toda contente sentia o aconchego da fartura.
repetia, comia com os olhos, ia alegre e vinha saltitando.
era legal sim, era ultra legal, muito supimpa.
é legal hoje esse efeito de café revestindo o estômago, quente e amargo. quieto. amargo.
preto, simples, quieto, amargo.
quieto é confortável. gosto disso.
ouvindo: album ok computer - radiohead
demora
eu lembro exatamente o que pensei antes de pular do bungue jump dez anos atrás. as pessoas lá embaixo tinham o tamanho de um playmobil, a montanha era mais verde e o céu mais azul do que nos teletubbies. se eu demorar muito acabo não pulando, foda-seeeee.
tinha uma escoteira que demorou muito. pensou muito. olhou muito pra baixo. claro, não pulou. não era uma questão de medo maior que a média, falta de coragem maior que a média, luta ou manifestação pelo direito de não pular. o único problema foi que ela demorou muito, mesmo, só isso.
as coisas são complicadas pra quem demora.
quando se demora, a cabeça desenvolve inúmeras coisas que não existem. infla as expectativas, o que gera ansiedade. a ansiedade trava a pessoa, e lá vamos nós: ainda mais ansiedade. quando andamos pra frente nos deparamos com problemas reais e as soluções têm que ser reais, isso é uma dinâmica boa. quando demoramos, parados, os problemas são supostos, a solução é suposta. vira uma coisa de louco.
demorar não é bom. planejamento é bom. são coisas diferentes e não podemos confundir uma coisa com a outra.
estou bastante irritada porém é altamente deselegante empurrar pessoas do bungue jump. excede os limites interpessoais.
não é à toa que a sociedade está gerando um grupo de pessoas individualistas e apressadas. simplesmente não há tempo a perder esperando os entes queridos olharem e olharem pela gaiola do bungue jump.
ouvindo: album ghost stories - coldplay
quarta-feira, 20 de agosto de 2014
jardim
todo mundo precisa de um jardim secreto para se recolher.
lá você faria outras coisas, teria outros trejeitos. usaria outras roupas, comeria outros pratos. ouviria músicas acolhedoras e leria outros livros. passaria horas lendo livros e pensando sobre a vida no jardim, o obscuro risonho e doce. lá o seu corpo é o mesmo, suas feições mudam, sua postura empertiga, suas frases destoam, seu cheiro se transforma.
e no meio daquelas plantas você é outra pessoa, você muda tanto, quase chega a ser o que há de mais puro em você.
eu gosto daquela moça do jardim.
eu também gosto.
por que?
porque ela gosta de mim.
ouvindo: cold - aqualung
lá você faria outras coisas, teria outros trejeitos. usaria outras roupas, comeria outros pratos. ouviria músicas acolhedoras e leria outros livros. passaria horas lendo livros e pensando sobre a vida no jardim, o obscuro risonho e doce. lá o seu corpo é o mesmo, suas feições mudam, sua postura empertiga, suas frases destoam, seu cheiro se transforma.
e no meio daquelas plantas você é outra pessoa, você muda tanto, quase chega a ser o que há de mais puro em você.
eu gosto daquela moça do jardim.
eu também gosto.
por que?
porque ela gosta de mim.
ouvindo: cold - aqualung
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