quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

cachorro

o que significa um cachorro? exigir obediência e previsibilidade pode parecer adequado, porém, subestima a personalidade e autonomia do cão. ora, ele não é uma máquina feita para nos servir, é um cão.

"deixe ele escolher", disse gar. forte, o pastor alemão, era adulto o suficiente para decidir se queria se aproximar ou passar fome. essay decidiu por si própria sair daquela caverna e latir para o tornado, apesar do "fica". o pit bull chance tomou a decisão de continuar fugindo até encontrar o humano perfeito para chamar de dono.

quando acontece algum atrito, imagino que os cães voltem abanando o rabo não porque são tolos. não por esquecerem das coisas rapidamente. mas porque escolheram perdoar seus humanos e pedir perdão. é uma devoção e lealdade consciente, acredito. humilde. "eu não devia ter feito aquilo", sinalizou edgar. "você estava perdido", disse almondine, sorrindo.

e então as características ditas 'humanas' sobressaem-se... e ultrapassam a 'humanidade' de muitos homens.

cachorros são seres incríveis. não basta ter um cão para entender isso, para entender é preciso ser também alguém incrível.

"afinal, para criar cachorros melhores, teremos de nos tornar pessoas melhores", disse alvin.

ouvindo: i due fiumi - ludovico einaudi

domingo, 12 de fevereiro de 2012

amigo de solidão

"a amizade é a solidão sem a angústia da solidão." (dag hammarkskjod)

o gosto da cerveja compartilhada é mais aguado do que aquela que eu tomo sozinha. e meus colegas de bar de épocas passadas já entenderam esse meu conceito desgarrado. amigo de companhia é desnecessário. e incomodante.

ah, o dia em que nós faremos isso e aquilo... a distância das pessoas que aprecio talvez seja algo inconscientemente proposital. assim como os porco-espinhos aprendem a encontrar uma distância segura entre o calor alheio e seus espetos. será que eles ficam divagando utopicamente o dia em que não terão espinhos e poderão se abraçar? que divaguem, pois sabem que isso nunca vai acontecer mesmo.

e se a solidão pode ser angustiante, um amigo de solidão elimina a queimação da angústia com mais eficiência que uma dose de antiácido. por que você acha que só aquela menina tem passe livre? porque ela é uma amiga de solidão. e só ela entendeu o conceito, enquanto os outros estão tentando ser amigos de companhia.

e para eles as portas continuarão fechadas. por enquanto é o jeito que as coisas funcionam bem pra mim.

ouvindo: dare you to move - switchfoot

domingo, 5 de fevereiro de 2012

hoje e ontem

"tiveste sede de sangue, e eu de sangue te encho" (dante alighieri)

a fragilidade do amor próprio ou, a falta dele, segue me enervando. todos nós temos períodos de maior sensibilidade. eu tive os meus. não tenho atualmente, com certeza. hoje é necessário mais do que empenho e um taco de basebol para me derrubar. fraturas consolidadas geram ossos mais resistentes.

e agora sou eu que me irrito andando pela casa de cerâmicas.

de onde veio o estrago, da minha resistência ou da sua fragilidade? não está no meu inconsciente que já estivemos em papéis trocados. minha natureza é bondosa entretanto não tão ingênua. dividiremos assim, a culpa da dor, meio a meio. hoje... e ontem.

ouvindo: buried myself alive - the used

domingo, 29 de janeiro de 2012

emotivo facebook

"sem o amor-próprio nenhuma vida é possível, nem sequer a mais leve decisão, só desespero e rigidez" (hugo hofmannsthal)

é de praxe passar o tempo lustrando armaduras contra o sofrimento. é apavorante correr o risco de amar sem ser correspondido. estamos feridos com tão pouco, acusando a negligência alheia... desconhecendo os motivos alheios. incompreendemos idiossincrasias, travamos batalhas, criamos e questionamos ofensas, oferecemos nossa própria felicidade aos cuidados... dos outros.

"sou uma coleção de sentimentos. meus sentimentos são delicados machucados. se vier, venha para cuidar de mim. e traga ataduras"

que tal excluir todas aquelas frases feitas do emotivo facebook e deixar apenas esta, que resume tudo? vamos fazer com que os outros sejam responsáveis pelo tratamento de nossas feridas, vamos abrir mão do nosso dever de tomar conta de nós mesmos.

estamos nos queixando tanto de pessoas e seus comportamentos inadequados em relação à nós, no entanto não conseguimos passar um dia sequer em nossa própria companhia. o ser humano mais difícil de enxergar e criticar sou eu mesmo. ora, melhor não criar a oportunidade de se dar conta disso, não é mesmo?

ouvindo: little lion man - mumford and sons

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

transição

toda mudança é incômoda. abrir mão do conhecido e encarar o desconhecido é desgastante. ampliar a zona de conforto é desconfortável. desbravar dá cagaço.

então nos recolhemos numa concha. revemos os movimentos automáticos, retomamos o modo manual e ficamos que nem barata tonta com as novas informações. neste momento resolvemos passar bastante tempo sozinhos para acostumarmos com os novos conceitos... antes de interagir novamente.

todos deveriam degustar uma fase de transição. é rico e necessário. chega de negar, relutar, nadar contra a corrente, debater-se. tudo isso só serve para ficarmos estagnados naquela mesma situação. por quanto tempo mais?

ouvindo: o velho e o moço - los hermanos

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

gabriel

século xvii. ela passou dois anos trocando palavras apenas com gabriel washbrook. ou melhor, tratando-se de gabriel, foram meias palavras todo esse tempo.

foi hannah powers quem decidiu abolir o 'nós'. ainda assim ela permaneceu todo um inverno esperando que ele voltasse. nem sinal dele ou dos cães.

ela deixou para trás a casa vazia, virou médica itinerante, casou-se com simon ward, o dono da botica. fizeram remédio para uma porrada de gente doente. ela chegou a conhecer a velhice, ele não.

e mesmo velha, ela lembrava de gabriel com amor. ele também lembrava de hannah. os cabelos dele continuavam longos. seus cães já não eram os mesmos daquela época mas ainda eram muitos. ele passou a viver na floresta, aquele mato fechado. e desacostumou a falar.

é de se entender porque sou apaixonada por livros.

ouvindo: bohemian rhapsody - maksim mvrica

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

silêncio

que caos. ao menos sou uma pessoa curiosa e pesquisadora, informada e ciente da minha bosta de situação.

nem rosamunde pilcher seria capaz de me descrever tão detalhadamente quanto robin norwood. não há orgulho nenhum nisso: arranjar um emprego que lide com pessoas 'carentes e cheias de dor', preferir homens complicados e cheios de problemas, ter paciência extra com situações 'abomináveis', ser exageradamente prestativa e também controladora, ter vícios comestíveis. medo de decepcionar. entre outras coisas.

feito o diagnóstico, de repente sinto a necessidade de nascer de novo...

bem, foda-se. qualquer pessoa de vinte e oito anos tem grande capacidade de nascer de novo na mesma vida, se quiser.

as pessoas do meu convívio já começaram a notar: já não sou tão bunda mole como antes. a minha prestatividade não é mais gratuita, pacientes não recebem afagos verbais, tios deixarão de me ter como sobrinha preferida, alguns muitos amigos irão fazer boneco de vudu da minha pessoa. os homens sumiram, pararam de me encher e eu parei de perturbá-los.

e isso me deixa tão aliviada. apesar de ser apenas o começo.

o silêncio é encantador pois eu me torno minha melhor amiga. se eu achava que 2011 foi um ano solitário, é porque eu não conhecia 2012. e assim, o desenho vai criando formato.

ouvindo: tema de jurassic park - john williams