sexta-feira, 2 de novembro de 2012

agonia

três pacotes de chocolate e uma garrafa de café forte. já faz uma semana que não me sinto ok fisicamente. eu poderia fumar instantaneamente um maço de cigarros ou tomar três copos cheios de uísque. não iria aliviar nada.

amor é coisa utópica e cômica. pode ser mesmo a coisa mais forte do mundo, mas isso é coisa que não teremos oportunidade de ficar sabendo, não é mesmo? a agonia me move. eu não gosto muito dela, mas ela que me dá forças pra estabelecer o objetivo de morar sozinha o ano que vem. e então ela que me ajuda a aguentar um dia de trabalho pesado. "aguentar pessoas com dor é apenas trabalho", repito internamente todos os dias.

alegria é coisa cômica. felicidade também. na boa, eu não consigo "ficar feliz por você", então melhor é você sair andando.

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

amargor

dor de cabeça, enjôo, advil.

apatia que já está sendo considerada vagabundagem pelos meus parentes. é preguiça de ajudar? má vontade quando eu deveria conseguir ser mais simpática diante os grandes problemas alheios? só não enche o meu saco, eu não quero decepcionar expectativas, não mais.

é quase divertido imaginar como seria difícil limpar sangue impregnado entre esses tacos. ajudaria a manter o quarto com um ar morto por mais tempo. seria quase divertido, e é divertido escrever isso porque ninguém vai ler mesmo. não é divertido, nada é divertido faz tempo.

eu não estou conseguindo ser boa, falar as coisas certas na hora certa, ser magra, ser boa filha, boa neta, boa amiga, boa mulher nem nada. é que nem fazer esteira, queira ou não a esteira gira e eu só vou pisando em cima. assim é com o tempo e com os dias. vai passando uma semana, outra semana, eu não estou conseguindo ser a melhor pessoa que poderia ser. acordo, trabalho e durmo.

quem é que vai procurar um psiquiatra quando no raciocínio, acha que não merece sair do mundo preto e branco? mesmo sabendo que em melhores condições mentais, poderia atuar em benefício das coisas boas. pintar o colorido para os outros. mas o meu merecimento beira a dor física, a minha fome, o meu silêncio e sacrifício. o amargor. está impregnado e faz parte de quem eu sou.

ouvindo: dream in the dark - the fine frenzy

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

futuro

disciplina é fazer pouco de coisas que faço muito e fazer muito do que faço pouco.

gastar o menos possível. comer o menos possível. trabalhar o máximo possível. juntar o máximo de $ que conseguir. fazer exercício com frequência e ininterruptamente. treinar escrever. treinar longboard. fazer o que eu tenho que fazer.

o tempo está passando e eu tenho que aproveitar cada segundo, cada oportunidade de fazer um futuro melhor, voltado para os meus sonhos mais importantes.

ouvindo: snow patrol - chasing cars (mango remix)

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

leve

"você me ligou naquela tarde vazia e me valeu o dia"

que coisa é notar que ele aparece leve toda vez que preciso de um pouco de riso. como um copo de leite que aconchega tudo antes de dormir.

que fácil é falar na mesma linguagem de senso de humor.

não é qualquer um que consegue chegar perto sem eu ter vontade de sair correndo. vou deixar isso anotado, como um bom sinal. estou alegre. mas ainda sem fome.

ouvindo: run free - spirit soundtrack

terça-feira, 9 de outubro de 2012

beleza triste

fácil é engordar quando estou ansiosa. fácil é emagrecer quando estou triste. espero então me manter melancólica nos próximos 20kg. se eu acho bonito a beleza triste, bonito é magreza, então é lá que eu almejo chegar.

bonito é não ter quase cor, brilho ou viço. e um coração vermelho embrulhado.

ser frágil, de um cansaço quase piedoso. ser forte e constante de espírito, manter a alma minimamente aquecida, garantir coberta à hipotermia. e trabalhar.

katie. bella. mallu.

ouvindo: comptine d'ete nº2 - yann tiersen

domingo, 30 de setembro de 2012

homens

conversar com livros e cadernos é ser autossuficiente. não há ninguém interessado em trivialidades.

eles. eu poderia chamá-los de homens mortos. são aqueles que eu me interesso, os que não corro o risco de sentir falta quando partirem porque já estavam mortos mesmo. há menos vida do que se eu conversasse com livros. eu sei que é uma queixa pesada. 'melhor sozinha do que mal acompanhada'. eu estou nas duas situações simultaneamente.

claro que existem outros homens. os de plástico. insípidos como entregadores de folheto, cheios de propaganda barata de si mesmos, com cantadas fracas (cantadas sempre são), impessoais e impertinentes. é como um jogo, certo? o patético jogo da conquista. eu me irrito em silêncio.

e assim eu permaneço, em silêncio. a partir de hoje.

o incômodo é um sintoma bom. ele me empurra pra longe daqui. disso. agradeço muito à minha voz interior, a minha intuição. o universo me prepara para algo bom, de fato. espero pelo meu melhor amigo, nada menos que isso.

ouvindo: pelo interfone - cícero

domingo, 9 de setembro de 2012

vinte e nove

os registros são importantes. me sinto na obrigação de deixar algo escrito sobre a sensação de fazer vinte e nove, para ler o ano que vem. assim como li o do ano passado.

sabe. até outro dia eu estava aqui gastando tempo invejando uma pessoa que sequer conheço, supondo características de personalidade e imaginando comportamentos. me incomodando. como alguém que escolhe determinada pedra para guardar no sapato. então me dei conta. essa pessoa não existe.

criei alguém na minha cabeça e admito. eu queria ser que nem você. com todos esses detalhes utópicos que elaborei insanamente. agora percebo que isso tem mais a ver comigo do que com você.

somos bem diferentes. e algumas coisas gosto do meu jeito, outras, do 'seu'. chegou a hora de incorporar um pouco dessa sua personalidade que, na verdade, já está aqui dentro. eu só precisava me dar conta disso.

eu nem vou escrever quem é você porque vou me lembrar muito bem quando fizer trinta.

ouvindo: a little piece - the jezabels