sábado, 26 de março de 2016

quieto

triste é falar com quem já não está aqui, é rir com quem já não vê mais graça, é encostar em quem já não sente nada, é estar do lado de quem está muito longe.

humilhante é lutar quando ele já arrumou as malas, é tirar a roupa pra quem já calçou os sapatos, é oferecer algo a quem fechou a porta.

é frio, é azedo, é amargo, é quieto.

quieto é andar sozinha de novo, é saber que errei de novo, é saber que eu não sirvo de novo, é ouvir que eu sou legal de novo.

estou em silêncio. estou amarga. estou sem esperanças. estou sem vontade de continuar fazendo tudo dar errado.

não quero mais sair daqui, não quero um lugar maior, não quero prejudicar nenhuma criança, não quero entristecer nenhum cachorro.

não aguento mais essa vida descartável, não aguento mais não servir mais, não aguento mais ser jogada no lixo.

faz silêncio, sinto dor.

mereço tudo isso, é mais de uma década, é cada vez mais amargo, é cada vez mais frio, é cada vez mais quieto.

preciso trabalhar, preciso comprar livros pq senão dói.

por favor, não traga mais ninguém. eu não aguento mais.

não traga mais ninguém, não leve mais ninguém, me deixe em paz.

segunda-feira, 14 de março de 2016

barcos

"senhor, conceda-me a serenidade para aceitar aquilo que não posso mudar, a coragem para mudar o que me for possível e a sabedoria para saber discernir entre as duas."

estamos questionando tudo, a sociedade, os relacionamentos, o trabalho, a família, os filhos, animais, a vida. vamos desapegar de tudo, vamos fazer o que é importante, que é ir atrás de nossos sonhos. cada um que viva seu próprio sonho em seu próprio barco. vamos deixar os outros viverem seus próprios sonhos em seus próprios barcos. vamos comprar barcos práticos, que caibam nossas coisinhas, vamos trocar de barco a cada cinco anos. hoje em dia não precisamos de tanto pra viver, tudo o que é pesado incomoda o homem moderno, coitado. ter um barco grande corre o risco de ter que levar família, gasta mais combustível e no geral gasta mais tempo e dinheiro. e eu não tenho tempo pra isso.

eu não posso mudar as coisas, não posso educar (quer dizer, mandar) nos meus filhos. hoje em dia cada um faz o que quer. vivemos em um mundo livre, livre demais. cheio de barcos desgovernados irresponsáveis buscando felicidade. mas o que importa são os sonhos.

quinta-feira, 10 de março de 2016

basal

um dia de cada vez. pessoas incomodam. elas tentam vender a ideia de que precisamos de alegria, que alegria cura e resolve. se eu quisesse comprar algo, teria ido à loja, meu amigo. e sozinha eu mastigo o luto.

o único sentimento do luto é o medo. medo de sentir qualquer outra coisa. apatia, piano e constância. um dia de cada vez. livros suaves. movimentos basais. sem perfume. não, eu não quero associar cheiro algum a esse momento. comidas sem graça. a mesma situação do perfume.

levanta e anda, disse o meu bom senso. todo o resto se ofendeu e o ignorou. hoje ele mesmo se questiona. estamos todos perdidos aqui dentro da sala de controle. faz frio.

basal e constante. um dia de cada vez.

lendo meu último post, me convenço a ser cada dia mais basal. mais e mais.

ouvindo: dna - ludovico einaudi

domingo, 27 de dezembro de 2015

amarga

dont meet me in montauk. 2006. dont meet me in montauk. 2009. dont meet me in montauk. 2015. não existe pessoa mais amarga do que eu.

a experiência deveria ajudar a superar o sofrimento, todo esse conhecimento de sobrevivência que eu adquiri ao longo da minha vida de jovem adulta. mas pensando bem, toda essa bagagem só serve pra me tornar ainda mais amarga. a cada dia que passa. a cada ano que passa. a cada golpe que levo. a cada pessoa que desiste de mim.

eu já aprendi que existem companhias inanimadas e desprovidas de vida como livros, por exemplo. é um tanto insuportável numa hora dessas olhar e enxergar vida acontecendo perto de você. gente casando, gente tendo filho, cachorros correndo, calor humano e trocas justas, entre pessoas que souberam como fazer isso de forma saudável.

culpa. é despejar bile por cima desse prato de jiló. eu reconheço, tenho problemas. tem gente que recebe amor incondicional e tem um monte de problemas. hoje eu vejo aqueles videos de cachorros correndo quase que na velocidade dos carros que os abandonam e entendo que isso é sim uma coisa cruel. eu não entendia e não sofria, hoje eu assisto algo assim e choro, tenho dor de barriga.

o que eu preciso aprender e não estou conseguindo? o que eu estou pagando? onde eu errei tanto assim?

não quero mais passar por isso. não vou mais correr o risco de passar por isso. acho que, afinal de contas, algumas pessoas problemáticas devem trabalhar bastante para valer a vida, mas seguir sozinhas.

ouvindo: yann tiersen - album rue des cascades

sexta-feira, 15 de maio de 2015

mesmo

do jeito que ela é feia, ruim e estúpida, devia ficar contente por existir alguém que goste dela apesar disso tudo.

ah sei, o mesmo problema de outrora?

é bom ela conseguir bastante dinheiro pra conseguir compensar tudo isso. e é bom que ela esteja disposta a fuder a hora que ele quiser, senão ele vai acabar indo embora.

ela não tem do que reclamar. tem é muita sorte, isso sim.

quarta-feira, 15 de abril de 2015

2009

ah não, eu sou burra sim. ninguém falou, mas em 2009 ninguém tinha falado também, certo?

há muitas maneiras de te empurraram para baixo sem colocarem a mão em você.

domingo, 12 de abril de 2015

gentilmente

eu olho pra 2010 e penso que a vida gentilmente te dá novas oportunidades para aprender o que não conseguiu antes. é sim uma gentileza do universo. é um saco, mas é o que é.

foda é agir do mesmo jeito que antes. é o cúmulo da burrice. eu posso ser folgada, mas não sou burra.

quando as coisas começam a ficar claras na cabeça, então nesse momento podemos e devemos pegar papel, caneta, e colocar a máquina pra funcionar.

ouvindo: pearl harbor soundtrack