achei. 10 de outubro de 2012. será que era dele que eu estava falando? ah só pode ser. pelo conteúdo do texto, só pode ser. mas... outubro? procurei por isso em janeiro, não lembrava se era 2012 ou 2011. minha cabeça fez um nó e eis uma coincidência interessante: por acaso estou ouvindo run free. como no post de 10 de outubro.
sim, e daí?
não é qualquer um que chega perto sem eu ter vontade de sair correndo. ainda bem que eu deixei isso anotado. epifanias brotam dos bueiros como targarugas ninjas neste momento. tudo combina, é tão legal que eu deixo quieto.
como um vidrinho de perfume que eu abro, cheiro e guardo. de vez em quando... e com cada vez mais frequência. vamos levando algumas coisas sem perceber. ele sempre está lá, não?
carrego sem querer e quando me dou conta, estou cheirando cada vez mais esse cara.
ouvindo: run free - spirit soundtrack
terça-feira, 5 de março de 2013
domingo, 3 de março de 2013
magenta
todos nascem cobertos com tinta fresca. essas tintas são especiais e nunca secam, tudo foi bem projetado quimicamente.
quando encostamos em alguém, seja fazendo carinho ou dando um tapão, pincelamos o outro com a nossa tinta. eu, por exemplo, sou magenta puro. uma mistura de partes iguais de vermelho e azul. o vermelho é meu quente, meu feminino. o azul é meu frio, minha dureza. magenta. partes iguais.
vou andando pra frente. vou esbarrando nos outros. vão esbarrando em mim. vou me colorindo e a pintura torna-se aleatoriamente bela.
mas é magenta a minha cor base. eu sou um touro produzindo magenta loucamente, andando pra frente e só pra frente, sem parar. jogando tinta nos olhos dos desavisados, manchando suas bochechas. mas sabe, o importante é que estou lá. estive lá. cor vai de gosto. cada um vai descrever o magenta da forma que bem entender.
ouvindo: veja bem meu bem - los hermanos
domingo, 17 de fevereiro de 2013
em silêncio
ele pode bater na sua cara, socar suas costelas, chutar seu joelho, torcer o seu braço, dar uma gravata em você. e ainda se justificar ao fazer tudo isso. a lábia dele pode te convencer de que você esteve errada, malvada, que o seu comportamento foi péssimo e que você precisou de um corretivo.
você pode ter ficado chateada por não ter respondido à altura desde a primeira vez que ele te testou (sim, ele te testou, naturalmente). é incômoda a sensação de ter deixado tudo chegar a esse ponto. mas, veja bem, você hoje enxerga a situação.
você pode ter ficado chateada por não ter respondido à altura desde a primeira vez que ele te testou (sim, ele te testou, naturalmente). é incômoda a sensação de ter deixado tudo chegar a esse ponto. mas, veja bem, você hoje enxerga a situação.
em silêncio você foi se preparando, foi se atentando a cada detalhe, estudando cada movimento, aprendendo novas técnicas para abordagens futuras.
ele pode te bater. mas agora você sabe usar um canivete. só se defende quem é atacado, e então você não ataca. nunca. dá a entender que ele não precisa defender-se de você. e na hora certa a lâmina dura entra na carne macia. o lugar certo, a virilha. você sabe girar o canivete.
o silêncio que era só seu agora também é dele. o que vem aos poucos fortalece. o que vem de repente... pode acabar derrubando, não?
ouvindo: let down - christopher o'riley
sexta-feira, 4 de janeiro de 2013
inferno
o mandato começou em 2010. conheci alguém que me levou até o hall do inferno. gostei disso. em 2011 vomitei sangue e em 2012 fiquei quieta. bom, de novembro em diante passei a rir disso. a tragédia é um buraco negro tão engraçado, se você chegar bem perto vai começar a rir, inevitavelmente. tudo isso é um ótimo preparo para 2013. força, loucura e ódio em bom tamanho, coisa que só se adquire com o tempo. esse ano eu me transformo em uma bola de energia devastadora, que queima quem encostar com más intenções. queima e ri.
terça-feira, 18 de dezembro de 2012
ártemis
há exatamente um ano atrás eu postei sobre a descoberta da solitude. este ano eu assumi o gosto por essa condição.
sabe, eu não canto, não danço, não faço porra nenhuma em cima de um palco. hoje eu tento passar desapercebido, minhas roupas são neutras e tenho um cabelo longo onde posso me esconder um pouquinho. é gostoso rir e sorrir sozinha, lendo um livro bom ou vendo youtubes de cães e de crianças. ou cães crianças. ou cães com criancinhas.
esse ano não teve rastros de afrodite, feminilidade é pra atrair homens, esse é meu conceito. e esse é um jogo que não ando com disposição para jogar. dei um basta em koré, aquela pirralha maldita, seja ela perséfone crescida, rainha do inferno ou o que for. não me interessa ser rainha.
ártemis faz meus olhos brilharem. ano que vem é tempo de lapidar meu sonho de ser uma guerreira autossuficiente com uma matilha de cães e um rebento sem pai. saco, só em sonho mesmo, eu não consigo cuidar de tudo isso sozinha. desesperozinho maldito. eu tenho que tentar!
ouvindo: let down - radiohead
segunda-feira, 17 de dezembro de 2012
saco preto
mês natalino de paz e amor é na casa do chapéu.
dezembro é na verdade o mês de reflexão, a revisão do ano inteiro, a limpeza racional de tudo o que carregamos sem mais bons motivos. e tem viu, mexe um pouco aí que aflora. é hora de colocar no saco preto os amigos, você sabe quais. não há mágoas ou vingança, então não há motivo para mandar o saco pro lixo. leve para a casa andré luiz, simplesmente. alguém vai aproveitar bem o que tem lá e pronto.
vamos colocar em um saco tudo o que desperdiça nosso espaço físico, nosso tempo, nossa preocupação, a nossa energia. boa época para cutucarmos a solidez de nossos valores, alguns antigos valores familiares têm o preço maior no brechó do que em casa.
a hora de começar a entediante arrumação é agora. dá trabalho essa porra mas, depois que começa, a vontade brota do nosso âmago e tudo fica melhor do que antes. o que realmente importa vai ficar, e é mais fácil de enxergar. estamos então mais leves para andar pra frente.
agora sim, pode vir 2013 pô.
ouvindo: album the bends - radiohead
dezembro é na verdade o mês de reflexão, a revisão do ano inteiro, a limpeza racional de tudo o que carregamos sem mais bons motivos. e tem viu, mexe um pouco aí que aflora. é hora de colocar no saco preto os amigos, você sabe quais. não há mágoas ou vingança, então não há motivo para mandar o saco pro lixo. leve para a casa andré luiz, simplesmente. alguém vai aproveitar bem o que tem lá e pronto.
vamos colocar em um saco tudo o que desperdiça nosso espaço físico, nosso tempo, nossa preocupação, a nossa energia. boa época para cutucarmos a solidez de nossos valores, alguns antigos valores familiares têm o preço maior no brechó do que em casa.
a hora de começar a entediante arrumação é agora. dá trabalho essa porra mas, depois que começa, a vontade brota do nosso âmago e tudo fica melhor do que antes. o que realmente importa vai ficar, e é mais fácil de enxergar. estamos então mais leves para andar pra frente.
agora sim, pode vir 2013 pô.
ouvindo: album the bends - radiohead
quarta-feira, 12 de dezembro de 2012
kryptonita
"como tinha mulher e filhos e rotina, estava muito satisfeito assim"
eu provavelmente não deveria pensar assim mas, acho que ter marido, filhos, cães e rotina é uma questão de merecimento. o meu cagaço não me permite sequer cuidar de mim mesma em um apartamento ovo administrável. ainda sou a filha. tenho 29 e ainda não consigo andar em direção à minha própria família. lastimável.
não gosto de pensar nessas coisas com a ajuda dos outros. essa merda é uma kriptonita pra mim. penso quietinha que já é perturbador o suficiente.
tem a linha que sugere lutar loucamente por seus sonhos e objetivos. tem outras linhas modernas que insistem em afirmar que o ser humano é desprendido, que o amor é livre e sem amarras, e por mais que eu tente, não consigo compreender essas porras de modernidade. gente vazia do cacete. é legal ser livre? pra que, pra poder trocar de marido quando vier um enfado? eu quero envelhecer com alguém que eu conheço.
quero ver meus filhos criancinhas, adolescentes, jovens adultos. sei lá, ensinar a eles que um cão vive bem menos que nós mas que vale a pena tê-los no nosso cotidiano. que a morte só existe se houver vida também. e isso também vale para os avós.
estou cansada. lutar loucamente por um sonho que inclui outra pessoa é complicado demais. é correr no escuro, trabalhar com incertezas.
enterra essa bosta de kryptonita pra não ver.
ouvindo: warning sign - coldplay
eu provavelmente não deveria pensar assim mas, acho que ter marido, filhos, cães e rotina é uma questão de merecimento. o meu cagaço não me permite sequer cuidar de mim mesma em um apartamento ovo administrável. ainda sou a filha. tenho 29 e ainda não consigo andar em direção à minha própria família. lastimável.
não gosto de pensar nessas coisas com a ajuda dos outros. essa merda é uma kriptonita pra mim. penso quietinha que já é perturbador o suficiente.
tem a linha que sugere lutar loucamente por seus sonhos e objetivos. tem outras linhas modernas que insistem em afirmar que o ser humano é desprendido, que o amor é livre e sem amarras, e por mais que eu tente, não consigo compreender essas porras de modernidade. gente vazia do cacete. é legal ser livre? pra que, pra poder trocar de marido quando vier um enfado? eu quero envelhecer com alguém que eu conheço.
quero ver meus filhos criancinhas, adolescentes, jovens adultos. sei lá, ensinar a eles que um cão vive bem menos que nós mas que vale a pena tê-los no nosso cotidiano. que a morte só existe se houver vida também. e isso também vale para os avós.
estou cansada. lutar loucamente por um sonho que inclui outra pessoa é complicado demais. é correr no escuro, trabalhar com incertezas.
enterra essa bosta de kryptonita pra não ver.
ouvindo: warning sign - coldplay
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