quinta-feira, 22 de março de 2012

blaze

quando eu li aquilo fiquei com vontade de vomitar. não vai dar pra pegar o metrô agora, desse jeito.

vários dejavuzinhos. ronnie virou nelly, patrícia, daniela, diana ou qualquer amiga decente e íntegra que eu tenho ou tive. marcus virou qualquer homem que encostou em mim um dia. blaze virou leda.

como eu queria pegar aquela menina no colo e levar pra bem longe, como eu queria proteger aquela blaze.

merda, ainda estou com vontade de vomitar. ou de chorar. ou ambos.

a coisa mais triste é pedir permissão para gostarem de você, implorar como um mendigo, agir como um impertinente saco de bosta, oferecer a sua comida, o seu dinheiro, a sua dignidade ou qualquer coisa que você tenha em troca de....

ronnie brilha, blaze pede desculpas por existir. ninguém gosta de blaze, nem ela mesma.

blaze é meiga, atenciosa, prestativa, forte e infeliz. que coisas fizeram ela ficar assim?

eu espero que até o fim do livro ela consiga brilhar também.

ouvindo: fairytale - ludovido einaudi

quarta-feira, 21 de março de 2012

queima

"os desgostos da vida ensinam a arte do siêncio". (sêneca)

foi-se o tempo em que tudo era doce e barulhento, como um bando de nerds jovens jogando war e comendo brigadeiro de colher. o silêncio tem o gosto amargo de um café gelado tomado numa cozinha vazia. e café demais queima a barriga.

pensando bem, a queimação torna o vazio palpável. o queimar do estômago, da cabeça e do coração.

"aquilo que foi doloroso suportar torna-se agradável depois de suportado; é natural sentir prazer depois do próprio sofrimento" (sêneca)

sêneca pra cá, sêneca pra lá. o vazio queima e traz prazer.

ouvindo: several ways to die trying - dashboard confessional

segunda-feira, 19 de março de 2012

novo blog

a melhor parte de não tentar agradar alguém é... não agradar mesmo. então me sobra tempo e energia pra brincar com meu próprio autismo e agradar minhas particularidades.

estreei mais um blog.

meu novo blog sobre prólogos é o primeiro passo para a alegria de escrever. a solitária alegria de escrever sobre personagens sisudos e seus aprendizados árduos. pelo menos são livos assim que leio com satisfação. livros assim que pretendo escrever um dia. personagens quietos e amargos que ao longo da vida encontram aconchego com cachorros, elefantes ou com os próprios pensamentos.

hannah, john, edgar, jacob, chance, hugh, gabriel e etc. e a lista de personagens com tais características aumenta cada vez mais.

já está na hora de criar os meus.

ouvindo: the swan - yo yo ma

quinta-feira, 15 de março de 2012

propósito

se os meus olhos brilham é porque estão cheios de lágrimas. e depois de um tempo brilham as minhas bochechas molhadas também. e então tudo fica opaco novamente.

quanto tempo dura essa porra? dorzinha crônica e contínua filha da puta. vai aumentando aos poucos pra gente não notar.

o problema não é escolher uma vida de sacrifícios, é não ter o propósito para tal. o que incomoda é gastar a vida nessa improdutiva depressão e não ter a força de ghandi, madre teresa ou john.

toda a minha paixão está focada em algo que não tenho o controle, o que me torna uma idiota.

eu tenho força de vontade. eu só não tenho o motivo certo ainda. eu sou uma porra de carro parado cheio de gasolina que não acha a merdinha da chave pra dar a partida.

paixões. que nunca mais seja paixão por outro ser humano. que seja paixão por algo que eu consiga controlar, dessa vez.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

cachorro

o que significa um cachorro? exigir obediência e previsibilidade pode parecer adequado, porém, subestima a personalidade e autonomia do cão. ora, ele não é uma máquina feita para nos servir, é um cão.

"deixe ele escolher", disse gar. forte, o pastor alemão, era adulto o suficiente para decidir se queria se aproximar ou passar fome. essay decidiu por si própria sair daquela caverna e latir para o tornado, apesar do "fica". o pit bull chance tomou a decisão de continuar fugindo até encontrar o humano perfeito para chamar de dono.

quando acontece algum atrito, imagino que os cães voltem abanando o rabo não porque são tolos. não por esquecerem das coisas rapidamente. mas porque escolheram perdoar seus humanos e pedir perdão. é uma devoção e lealdade consciente, acredito. humilde. "eu não devia ter feito aquilo", sinalizou edgar. "você estava perdido", disse almondine, sorrindo.

e então as características ditas 'humanas' sobressaem-se... e ultrapassam a 'humanidade' de muitos homens.

cachorros são seres incríveis. não basta ter um cão para entender isso, para entender é preciso ser também alguém incrível.

"afinal, para criar cachorros melhores, teremos de nos tornar pessoas melhores", disse alvin.

ouvindo: i due fiumi - ludovico einaudi

domingo, 12 de fevereiro de 2012

amigo de solidão

"a amizade é a solidão sem a angústia da solidão." (dag hammarkskjod)

o gosto da cerveja compartilhada é mais aguado do que aquela que eu tomo sozinha. e meus colegas de bar de épocas passadas já entenderam esse meu conceito desgarrado. amigo de companhia é desnecessário. e incomodante.

ah, o dia em que nós faremos isso e aquilo... a distância das pessoas que aprecio talvez seja algo inconscientemente proposital. assim como os porco-espinhos aprendem a encontrar uma distância segura entre o calor alheio e seus espetos. será que eles ficam divagando utopicamente o dia em que não terão espinhos e poderão se abraçar? que divaguem, pois sabem que isso nunca vai acontecer mesmo.

e se a solidão pode ser angustiante, um amigo de solidão elimina a queimação da angústia com mais eficiência que uma dose de antiácido. por que você acha que só aquela menina tem passe livre? porque ela é uma amiga de solidão. e só ela entendeu o conceito, enquanto os outros estão tentando ser amigos de companhia.

e para eles as portas continuarão fechadas. por enquanto é o jeito que as coisas funcionam bem pra mim.

ouvindo: dare you to move - switchfoot

domingo, 5 de fevereiro de 2012

hoje e ontem

"tiveste sede de sangue, e eu de sangue te encho" (dante alighieri)

a fragilidade do amor próprio ou, a falta dele, segue me enervando. todos nós temos períodos de maior sensibilidade. eu tive os meus. não tenho atualmente, com certeza. hoje é necessário mais do que empenho e um taco de basebol para me derrubar. fraturas consolidadas geram ossos mais resistentes.

e agora sou eu que me irrito andando pela casa de cerâmicas.

de onde veio o estrago, da minha resistência ou da sua fragilidade? não está no meu inconsciente que já estivemos em papéis trocados. minha natureza é bondosa entretanto não tão ingênua. dividiremos assim, a culpa da dor, meio a meio. hoje... e ontem.

ouvindo: buried myself alive - the used